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Percevejo-verde da soja

O controle realizado no início da infestação, se mostra mais eficiente tanto com as ferramentas químicas quanto com as biológicas. Para isso, é fundamental as ferramentas de controle nos momentos certos, utilizando monitoramento constante. O clima exerce influência significativa na dinâmica populacional, em épocas chuvosas a população decresce, e em épocas secas a população aumenta vertiginosamente, dificultando o controle caso o posicionamento for atrasado.

Condições favoráveis e evolução do percevejo-verde

O percevejo-verde apresenta maior frequência na região subtropical do Brasil, podendo se desenvolver o ano todo quando as condições de ambiente são favoráveis. A taxa de desenvolvimento é bastante influenciada pela temperatura, disponibilidade e qualidade do alimento disponível. Quanto à temperatura, por exemplo, a fase de ninfa pode oscilar de 23 dias sob 30°C, a até 56 dias sob 20°C. Da mesma forma, a fase de ovo pode levar até 3 semanas na primavera e outono, e apenas 5 dias no verão. Em geral conseguem desenvolver, em média, até 4 gerações por ano.

Tabela 1. Tempo de desenvolvimento médio das sub-fase do ciclo do percevejo-verde (Nezara viridula).

Fonte: Panizzi et al. 1989; Cividantes 1992.

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Danos

Essa praga tem como fonte preferencial de alimento as vagens da soja. Ao se alimentar, penetram o estilete, com o qual atingem os grãos, liberando neles toxinas e danificando-os. Os grãos atingidos apresentam drástica redução de massa, se tornam deformados ou podem ser abortados quando o ataque se dá nas fases iniciais de formação. Em áreas de produção de sementes, o ataque de percevejos se torna ainda mais crítico, visto que os danos impactam na redução do vigor, redução do potencial germinativo ou mesmo no abortamento das sementes. O orifício de penetração do estilete do percevejo pode se tornar porta de entrada para fungos e bactérias, aumentando assim os danos acarretados pela presença desta praga.


As ninfas, a partir de 3° ínstar, podem ser responsáveis por até ⅔ dos danos em soja. O potencial de dano médio diário estimado para o percevejo-verde é de 0,16 g/planta a cada 1 percevejo/planta. Esse valor é inferior ao percevejo-verde-pequeno e superior ao percevejo-marrom da soja, ficando o Nezara viridula numa posição intermediária de potencial de dano quando comparado as demais espécies.

Identificação e monitoramento do percevejo-verde

Os adultos possuem coloração verde, com três pequenos pontos brancos, na borda frontal do escutelo. Os ovos são de coloração creme a amarelo, ligeiramente alongados, e tornam-se alaranjados ou rosados à medida que vão se desenvolvendo e estão próximos à eclosão. As ninfas vão do primeiro ao quinto ínstar. São de coloração preta, quando eclodem, e vão se tornando verdes até chegar no estágio adulto (Figura 1).

O seu monitoramento deve ser realizado ao menos uma vez por semana, devido ao seu potencial de dano, principalmente a partir do período de R3, ou fase de canivete, período onde o ataque se acentua. As amostragens podem ser realizadas com pano de batida em um metro linear de fileira de plantas (pano de batida 1m x 1m). Com o objetivo de posicionamento do controle químico, os níveis de controle indicados para o percevejo-verde da soja atualmente são:

  • Campos de produção de grãos = 2 percevejos/metro da cultura;
  • Campos de produção de sementes = 1 percevejo/metro da cultura.

Figura 1. Adulto, ovos, ninfa de 3° ínstar e ninfa de 5° ínstar do percevejo-verde da soja (Nezara viridula). Fotos: Elevagro
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Desafios ao manejo do percevejo-verde

O manejo de percevejo-verde, assim como todos os pentatomídeos, é por meio de um conjunto de estratégias dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP). No MIP pode-se utilizar o manejo químico, biológico e cultural.

No manejo cultural é importante o controle de plantas daninhas hospedeiras ou plantas tigueras da cultura, que servem de abrigo ao percevejo favorecendo sua sobrevivência no período de entressafra.

O controle químico com o uso de inseticidas é a base do manejo, devido a maior eficácia. É fundamental serem utilizados inseticidas registrados para o controle de percevejos na soja, devendo esses serem posicionados assim que a população atingir o limiar de dano econômico. Aplicações tardias, com níveis elevados da praga, aumentam a dificuldade de controle e possibilitam que novas gerações ocorram. Pulverizações nas bordaduras da lavoura, ainda na fase vegetativa da cultura, poderão ser úteis visando reduzir a infestação inicial da lavoura dos percevejos migrantes. Esta prática pode ser eficiente, caso a praga ainda não esteja totalmente disseminada, o que poderá ser constatado pela amostragem. Após a cultura entrar no período reprodutivo, especialmente a partir de R3 a R5.1, caracteriza-se o período crítico para monitoramento e controle. Outro aspecto a se considerar é a diminuição das populações de final de safra. Normalmente, a praga atinge pico populacional no final do ciclo da cultura e costuma migrar para outras áreas, ou sobreviver na mesma, tornando-a altamente infestada.