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Cigarrinha das raízes: causas, sintomas e soluções no campo

A cigarrinha das raízes é uma das principais pragas da cana-de-açúcar, podendo causar perdas de produtividade em torno de 70% em áreas severamente infestadas.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar e referência em manejo e produção dessa cultura. No entanto, os avanços na mecanização agrícola e a proibição do uso de queimadas trouxeram alguns desafios aos produtores.

Essas mudanças no sistema criaram condições favoráveis para o desenvolvimento de pragas agrícolas, como a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata). Antes considerada uma praga secundária, ela se tornou uma das maiores ameaças à produtividade e à qualidade do açúcar no país.

Atualmente, já está presente em todas as regiões produtoras, e as perdas de produtividade causadas pelo ataque desse inseto podem chegar a 70% em áreas severamente infestadas.

O primeiro passo para evitar esses prejuízos e proteger o canavial é entender como identificá-la e controlá-la. Neste artigo, você aprenderá como reconhecer a cigarrinha e quais são as melhores práticas para manejar esse inseto na fazenda.

O que é a cigarrinha das raízes?

A cigarrinha-das-raízes é uma das principais pragas agrícolas que afetam a cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Esse inseto sugador ganhou relevância a partir da década de 1990, com a adoção da colheita mecanizada e o abandono das queimadas.

Essas mudanças resultaram na formação de uma camada de palhada no solo após a colheita, criando um microclima ideal para o desenvolvimento da cigarrinha. A presença da palhada favorece a sobrevivência dos ovos durante o inverno e impulsiona o aumento populacional com a chegada das chuvas.

Como identificar a cigarrinha das raízes em sua plantação?

A correta identificação da cigarrinha das raízes orienta a adoção de medidas de controle efetivas contra essa praga. Para isso, é importante conhecer as características do inseto nos diferentes ciclos de vida.

Esse ciclo começa quando as fêmeas depositam ovos fusiformes e amarelados próximos ao colmo da planta, geralmente na palhada ou na camada superficial do solo. Cada fêmea pode colocar, em média, 340 ovos durante sua vida.

O período de incubação varia entre 15 e 20 dias. Em condições adversas, eles podem entrar em diapausa, prolongando seu desenvolvimento. Após a eclosão, surgem as ninfas, que medem cerca de 1 mm e se alimentam das raízes e radicelas da cana-de-açúcar.

Durante essa fase, elas produzem uma espuma esbranquiçada na base das touceiras. Essa espuma é semelhante à espuma de sabão e é um sinal claro da presença nas lavouras.

As ninfas permanecem cobertas e protegidas por essa espuma por cerca de 30 a 40 dias. Nesse período, elas passam por cinco mudas antes de se transformarem em adultos.

Os indivíduos adultos medem entre 10 e 12 milímetros de comprimento. Os machos geralmente são menores e possuem coloração avermelhada. Já as fêmeas são um pouco maiores e têm uma coloração mais escura, variando entre marrom-avermelhado e quase preta, especialmente nas asas.

O ciclo completo, desconsiderando o período de diapausa, dura entre dois e três meses. O nome do inseto reflete seu hábito alimentar durante a fase de ninfa, em que consomem as raízes e radicelas da planta.

Quais são os danos causados pela cigarrinha das raízes?

A cigarrinha-das-raízes afeta a cana-de-açúcar principalmente em sua fase mais jovem. As ninfas extraem grandes quantidades de água e nutrientes enquanto se alimentam das raízes e radicelas.

Esse processo compromete a estrutura radicular, provocando necrose nos tecidos e desidratação dos vasos condutores (floema e xilema), prejudicando o transporte de água e nutrientes para a parte aérea da planta.

Já os adultos sugam a seiva e colmos enquanto se alimentam, o que também compromete o desenvolvimento da planta.

Durante sua alimentação, ninfas e adultos ainda injetam sua saliva rica em enzimas e toxinas na cana, substâncias que também causam a necrose dos tecidos foliares.

Como resultado, os colmos se tornam mais finos, ocos e com rachaduras, além de apresentarem um encurtamento dos entrenós. Em infestações severas, os danos podem levar a uma deficiência nutricional grave, resultando na desidratação e na morte da planta.

Além de prejudicar o crescimento, a cigarrinha também afeta a qualidade da cana-de-açúcar. Os colmos infestados podem apresentar redução no teor de açúcar e aumento no teor de fibra, comprometendo o valor econômico, a produtividade e perspectiva da colheita.

Como prevenir e controlar a cigarrinha das raízes?

A prevenção e o controle exige a adoção de práticas do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Essa abordagem combina métodos físicos, culturais, químicos e biológicos de forma estratégica.

O objetivo é reduzir as condições favoráveis ao surgimento de infestações e conter o aumento da população antes que cause danos significativos ao canavial.

Um dos pilares do MIP é o monitoramento de pragas, considerado essencial para um controle eficiente. O ideal é começar esse processo de 20 a 30 dias após as primeiras chuvas, período em que se deve coletar amostras.

Para monitorar os adultos, recomenda-se o uso de armadilhas de placa amarela. Já as ninfas podem ser acompanhadas pela contagem de insetos por metro linear. Esse monitoramento deve ser realizado a cada quinze dias.

Para identificar o momento ideal de intervenção, você pode seguir os parâmetros de controle abaixo:

  • Nível de Controle (NC): de 2 a 4 ninfas por metro linear e de 0,5 a 0,75 adulto por planta.

  • Nível de Dano Econômico (NDE): de 10 a 15 ninfas por metro linear e 1 adulto por planta.

Esse monitoramento permite que você adote medidas de controle quando a infestação ainda está na sua fase inicial, evitando que a praga atinja níveis que comprometam a produtividade do canavial.

Quais são as melhores práticas para lidar com a cigarrinha das raízes?

Além do monitoramento, você deve adotar outras práticas de manejo específicas associadas ao MIP para combater essa praga na cana-de-açúcar. Confira a seguir as principais estratégias para prevenir e controlar.

Controle físico

Esse tipo de controle envolve principalmente a retirada da palha da área de plantio. Isso é importante para reduzir a umidade do solo e eliminar o microclima favorável ao desenvolvimento.

Em áreas severamente infestadas, o uso de fogo também pode ser adotado. No entanto, essa prática deve ser feita com extremo cuidado devido aos impactos ambientais e ao risco de queimadas descontroladas.

Controle cultural

O controle cultural pode ser feito com várias estratégias. Uma delas é o plantio de variedades de cana mais precoces e resistentes, que tendem a ter um melhor desempenho em condições adversas.

Outra prática cultural importante é garantir uma nutrição adequada às plantas, já que isso também melhora sua resistência. Para isso, você pode investir em práticas como gessagem, fosfatagem e adubação.

No entanto, é importante fazer a análise do solo e das plantas antes de adotar esses métodos, garantindo a aplicação apenas de recursos realmente necessários para a nutrição da cana.

Além disso, em lavouras mecanizadas, é recomendável afastar a palha na linha do cultivo para controlar a proliferação dos insetos.

Controle biológico

O controle biológico pode ser feito com biopesticidas à base do fungo Metarhizium anisopliae. Também conhecido como fungo verde, eles podem infectar as ninfas e adultos dos insetos.

Além desse microrganismo, você também pode introduzir predadores naturais da cigarrinha no canavial, como a mosca predadora de ninfa Salpingogaster nigra e o parasitoide de ovos Anagrus urichi.

Vale lembrar que o controle biológico deve ser feito em conjunto com a aplicação de inseticidas químicos para aumentar a eficiência do manejo de pragas.

Controle químico

O controle químico é a principal ferramenta de combate à infestação de cigarrinha. Para fazer, você deve investir em inseticidas específicos, como o Curbix®.

Ele é um inseticida de contato e ingestão à base de etiprole que auxilia no controle de diversas pragas, inclusive a cigarrinha das raízes. Esse produto se diferencia por apresentar um efeito de choque rápido, alta eficácia e maior período de controle.

É importante investir na rotação de produtos com diferentes mecanismos de ação para evitar o desenvolvimento de populações resistentes.

Combinando essas práticas de controle associadas ao MIP, você protege o canavial dos danos causados pela cigarrinha e garante uma produção de cana mais saudável, sustentável e lucrativa.

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