Percevejo Verde Pequeno
O controle realizado no início da infestação, se mostra mais eficiente tanto com as ferramentas químicas quanto com as biológicas. Para isso, é fundamental as ferramentas de controle nos momentos certos, utilizando monitoramento constante. O clima exerce influência significativa na dinâmica populacional, em épocas chuvosas a população decresce, e em épocas secas a população aumenta vertiginosamente, dificultando o controle caso o posicionamento for atrasado.
Ciclo de desenvolvimento do percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii). Adaptado de Cividanes (1992).
O tempo médio de duração de ovo a adulto para P. guildinii é de aproximadamente 25 dias. A duração das fases ninfais ficará em torno de 21 dias, sendo que até o quarto ínstar terá uma variação entre 3 a 4 dias e uns 6 dias para o quinto ínstar, conforme condições de ambiente e de alimento (conforme esquema abaixo). Estudos tem evidenciado que a atividade alimentar dos percevejos vai aumentando gradativamente a partir do segundo ínstar até o adulto.
O número total de ovos por fêmea varia bastante conforme o hospedeiro. A duração média na fase de ovo fica em torno de 4 a 5 dias. A longevidade dos adultos também pode variar bastante, conforme o hospedeiro. Em soja, trabalhos evidenciam uma duração média em torno de 50 dias.
Danos e Riscos
O dano estimado para 1 indivíduo de P. guildinii é de 0,21 g/dia. Considerando esse dano em 1 hectare será de 2,1 kg/ha/dia. Tomando como um período médio de ataque de 35 dias, o dano será de 73,5 kg/ha por percevejo/m².
P. guildinii causa maior dano à soja comparado a outros percevejos. Esse maior dano pode ser em função de alguns aspectos ligados à sua picada nos órgãos, como maior tamanho das lesões, maior profundidade dos danos e maior ação deletéria das enzimas salivares liberadas, em comparação às outras espécies.
O P. guildinii comumente aparece na soja nos estádios de floração, pois comparativamente às outras espécies, está mais bem adaptado para se alimentar das plantas anteriormente a formação de vagens. Porém, nessa fase, anterior à formação das vagens, o ataque de percevejos não causa perdas de produtividade e qualidade de grãos. Por ocorrer mais cedo, P. guildinii poderá atingir elevados níveis populacionais mais cedo o que deve ser monitorado para tomadas de decisões quanto ao controle.
Identificação e Monitoramento
Os ovos de P. guildinii possuem coloração preta, em formato de barril e são colocados arranjados em fileiras duplas. São colocados em média de 12 a 20 ovos por postura (conforme figura). Preferencialmente, os ovos são depositados nas vagens, mas podem ser encontrados na face ventral ou dorsal das folhas, no caule e nos ramos.
As ninfas recém-eclodidas medem em torno de 1 mm e possuem coloração preta na parte dorsal e avermelhado com pontuações escuras na parte posterior. No segundo instar, o tamanho aumenta para 2 a 3 mm e a coloração se mantém similar. No terceiro instar, o tamanho aumenta para 4 a 5 mm e a coloração avermelhada adquire tons mais amarelados. No quarto e quinto ínstar já adquirem coloração esverdeada, mantendo as pontuações sobre a parte de cima. O tamanho vai de 5 a 6 mm para quarto ínstar e de 7 a 8 mm para quinto ínstar.
Importância do monitoramento e desafios ao manejo
O monitoramento é a essência para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) na lavoura, pois pode aumentar a eficiência no controle dos insetos e também pode proporcionar redução do custo de produção. O grande benefício do monitoramento é a identificação do momento ideal para entrar com as aplicações de inseticidas nas lavouras, tendo assim um melhor aproveitamento dos produtos utilizados.
Sabe-se que os reais danos dos percevejos são observados após o início da formação de vagens em soja. No entanto, sabe-se que a população dessa praga pode se estabelecer antes mesmo dessa fase, ou seja, quando a soja iniciar a formação de vagens, poderá já estar exposta a uma grande pressão de ataque.
Na fase vegetativa da soja, os percevejos migram dos nichos de diapausa ou de hospedeiros alternativos para soja. Durante a floração (R1 a R2) ocorre o período de colonização, e a partir do início da formação das vagens (R3) ocorre a reprodução e o aumento das populações, sendo estas compostas por ninfas, sendo caracterizado como o período de alerta.
Nesse sentido, o monitoramento deve ser iniciado no início do período de floração, que é quando inicia o período de colonização dessa praga. Com base no monitoramento, detectados níveis elevados de indivíduos na área, a entrada com aplicação de inseticidas pode ser necessária antes mesmo do estágio de formação de vagens, com objetivo de baixar o nível populacional.
O aumento populacional é crescente ao final do desenvolvimento das vagens (R4) e início de enchimento dos grãos (R5), atingindo o pico populacional máximo. Posteriormente, a população vai reduzindo com a soja atingindo a maturação fisiológica (R7).