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Lagarta Falsa Medideira da Soja

Ciclo de Desenvolvimento e Condições Favoráveis

As fêmeas depositam os ovos preferencialmente na superfície inferior das folhas de soja. Cada fêmea pode pôr de 300 a 1000 ovos durante sua vida, mas em média esse número fica próximo a 700 ovos. As lagartas eclodem de 3 a 5 dias após a oviposição.

A duração da fase larval varia de 13 a 20 dias, sendo o período que a praga causa dano. Podem ocorrem de cinco a seis instares durante a fase larval.

Após a fase larval, as lagartas entram na fase de pupa, que dura em média de 7 a 9 dias até a emergência dos adultos. A duração de um ciclo total, de ovo até adulto, varia de 27 a 34 dias.

A qualidade do alimento encontrado pelas lagartas e as condições climáticas oferecem significativa influência sobre a duração de cada fase do ciclo.

Na soja, sob condições de clima quente e seco, o ciclo de C. includens é acelerado, podendo ocasionar rápido crescimento populacional. Nas últimas safras, em muitas regiões produtoras, altas infestações de C. includens são favorecidas por períodos mais secos, de altas temperaturas e baixa umidade do ar, variáveis que por vezes, reduzem a ação dos inimigos naturais, consequentemente.

A C. includens é uma lagarta desfolhadora, atacando folhas e destruindo o limbo foliar. Quando jovens, no primeiro e segundo ínstar, apenas raspam as folhas; à medida que crescem, a partir do terceiro ínstar, consomem o limbo, deixando as nervuras da folha, proporcionando aspecto característico de folhas rendilhadas (Figura 1). Tal característica difere do dano causado por outras lagartas desfolhadoras que consomem a folha toda.

O consumo total médio de folhas por lagartas de C. includens na soja é bastante variável. O consumo pode variar de 64 a 200 cm2 de folha/lagarta/dia, com um consumo médio próximo a 100 cm2.

Figura 1. Danos de raspagem e consumo de folha causados por C. includens em feijão e soja.


Estratégias de Manejo


1. Rotação de culturas

O monocultivo de soja, ou mesmo áreas que são rotacionadas com culturas hospedeiras como algodão e feijão, podem contribuir para o aumento dos ataques das falsas-medideiras. A rotação com culturas não hospedeiras é indicado para quebrar o ciclo da praga e reduzir os níveis populacionais.


2. Cultivares Bt

Atualmente existem no mercado uma grande variedade de cultivares com a tecnologia Bt, denominadas de cultivares Intacta RR2 PRO®. Essa biotecnologia confere proteção à soja durante todo o ciclo a algumas espécies de lagartas, como lagarta-da-soja, lagarta-das-maçãs, broca-das-axilas bem como a falsa-medideira.


Fique atento!


Em áreas com cultivo de cultivares Intacta, é necessário o plantio de áreas de refúgio estruturado. Nas áreas de refúgio devem ser plantadas 20% de cultivares não-Bt, que servirão de hospedeiras para as pragas. Isso é fundamental para evitar que a praga se torne resistente e a tecnologia deixe de funcionar.


3. Aplicação de inseticidas

Em cultivares sem a tecnologia Bt, a aplicação de inseticidas será uma importante ferramenta de controle. Nas áreas de refúgio inseticidas também poderão ser aplicados, porém a recomendação é realizar o mínimo necessário de intervenções para a não extinção total da população da praga, a qual é importante para ocorrer os cruzamentos com possíveis resistentes para a manutenção da eficácia da tecnologia Bt.


Fique atento!


Mesmo em áreas de cultivo com soja Bt, a aplicação de inseticidas poderá ser necessária nas pragas não-alvo da tecnologia. Com a tecnologia Bt, para as lagartas morrerem elas precisam consumir folhas, e posteriormente, após ação das proteínas, as lagartas morrem. No entanto, se constatada uma altas infestaões, aplicações de inseticidas poderão ser necessárias para reduzir a população, para evitar que danos à produtividade ocorram e também para reduzir os riscos de resistência da praga.


4. Monitoramento e posicionamento de inseticidas

As lagartas de C. includens possuem o hábito de ficar no terço mediano e inferior das plantas. Esse comportamento é um desafio ao controle, sendo a tecnologia de aplicação fundamental para uma boa cobertura e levar o inseticida até esses locais. Portanto, a recomendações é a utilização de produtos que tenham uma boa ação residual, permitindo assim que a lagarta possa subir no dossel da planta e consumir folhas, e consequentemente ter eficácia.

Trabalhos de campo têm indicado que a infestação de C. includens na soja começa a aumentar aos 50 dias após a emergência das plantas. Dessa forma, é fundamental manter o monitoramento, pois caso seja detectado o nível de controle, aplicações de inseticidas com ação residual poderão ser iniciadas. Inseticidas reguladores de crescimento são exemplo disso, os quais possuem maior eficácia quando aplicados sobre lagartas pequenas (até 3 ínstar) e baixa população da praga.

O tamanho de lagartas e nível de infestação são fatores determinantes para a eficácia do controle químico. Quanto menor for o tamanho e a população, maior são as opções de inseticidas, maior é a eficácia de controle e menor serão os custos. Por outro lado, para elevadas infestações e presença de lagartas grandes, reduzem significativamente as opções de inseticidas eficientes, muitas vezes é necessário o aumento de dose, e mais difícil se torna o controle e maiores serão os custos.


Fique atento!


A rotação de diferentes mecanismos de ação é fundamental para prolongar a vida útil dos inseticidas, para que continuem sendo ferramentas eficientes de controle no manejo de pragas.


Identificação e Monitoramento

Os ovos são globulares e apresentam coloração creme-clara logo após a oviposição e marrom-clara próximo à eclosão.


As lagartas que eclodem são de coloração verde-clara, com listras longitudinais brancas e pontuações pretas. Podem atingir um comprimento de até 5 cm em seu último estádio larval. Durante a mudança de instares, podem haver mudanças perceptíveis na coloração. Apresentam apenas 2 pares de pernas abdominais e 1 par de pernas na região caudal.

Figura 2. Fase larval (lagartas) de C. includens.

Figura 3. Pupa de C. includens.

Depois do último ínstar larval, as lagartas se transformam em pupa, que ocorre em geral na face abaxial das folhas.

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Figura 4. Adulto da lagarta-falsa-medideira (C. includens).

Os adultos são mariposas, com asas anteriores de coloração escura, com duas manchas prateadas brilhantes na parte central do primeiro par de asas, e as asas posteriores são de coloração marrom.

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